CDU recusa manter pelouros em Matosinhos por vários problemas no mandato anterior

José Pedro Rodrigues

A CDU declinou o convite da presidente da Câmara de Matosinhos, a socialista Luísa Salgueiro, eleita com maioria, para assumir os pelouros dos Transportes e Proteção Civil do mandato anterior por causa de “vários aspetos negativos”.

Em comunicado citado pela agência Lusa, a CDU confirma que o vereador eleito, José Pedro Rodrigues, foi convidado a manter os pelouros que assumiu, até então, mas recusou por vários problemas identificados ao longo do último mandato sem qualquer resolução.

No mandato anterior, Luísa Salgueiro, eleita pela primeira vez como presidente da Câmara Municipal de Matosinhos pelo PS, elegeu cinco vereadores, estabelecendo um entendimento com a CDU para garantir a estabilidade do executivo.

No âmbito desse acordo, a CDU, nomeadamente o vereador José Pedro Rodrigues, assumiu os pelouros da Proteção Civil e dos Transportes e Mobilidade.
Entre os diferentes problemas, a CDU destacou o “desrespeito” pela autonomia do partido nas áreas correspondentes aos pelouros que assumiu, particularmente em relação aos transportes onde, por exemplo, é a presidente de câmara quem representa a autarquia na Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) e não o vereador do pelouro.

Além disso, os comunistas referem que o PS faltou aos compromissos com a CDU, designadamente quanto à reversão da concessão dos resíduos e à resolução das situações de precariedade nos funcionários da autarquia.

“O alinhamento com o Governo em prejuízo dos interesses do concelho, como ficou bem evidente no caso do encerramento da refinaria de Matosinhos, e tenderá a agravar no quadro da chamada transferência de competências que se verificará no mandato que agora começa”, sublinhou.

A CDU apontou ainda a não correspondência da presidente da câmara aos pedidos de envolvimento na resolução de problemas da sua área dos pelouros, designadamente na cobertura da estação de Metro da Senhora da Hora ou na busca de uma solução da criação de uma nova saída da A28.

Outro dos motivos apontados pela CDU para recusar os pelouros passa pelo “clima de conflitualidade crescente” com os trabalhadores da câmara e desrespeito pelos direitos, patente na aplicação do Suplemento de Penosidade e Insalubridade que deixa de fora muitos trabalhadores que o deveriam receber.
“Se isto se verificou num contexto de maioria relativa, tenderia a ser pior no quadro da maioria absoluta que o PS tem neste momento”, vincou a CDU.

Perante a identificação destes problemas, o partido revelou que a autarca socialista não deu garantias de que os mesmos não se repetiriam.
Motivo pelo qual a CDU entendeu não haver condições para a assunção de pelouros.

A candidatura do PS liderada por Luísa Salgueiro conseguiu sete mandatos (43,62% dos votos), a coligação PSD/CDS obteve dois (17,25%), enquanto o movimento independente António Parada SIM (9,87%) e a CDU (6,58%) conseguiram um eleito cada.

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