Casa da Arquitetura (Matosinhos) estuda acolhimento de acervos de brasileiros

foto cm-matosinhos

O diretor executivo da Casa da Arquitetura (em Matosinhos), Nuno Sampaio, disse esta quinta-feira à agência Lusa que está a ser estudada a possibilidade de receber acervos de “alguns arquitetos brasileiros”, alertando, todavia, que os encargos são “muito grandes”.

“Existe vontade de alguns arquitetos brasileiros de entregar à Casa da Arquitetura mais acervo”, declarou Nuno Sampaio, escusando-se a identificar os nomes, porque ainda “não estão consumados”.

Em declarações à agência Lusa a propósito das celebrações do 4.º aniversário da Casa da Arquitetura, Nuno Sampaio explicou que “ainda são só propostas”.

“A Casa [da Arquitetura] não fecha portas, mas é um encargo muito grande da Casa da Arquitetura trazer acervo do Brasil e, portanto, estamos a estudar essa possibilidade”, acrescentou o diretor executivo.

Nuno Sampaio revelou que esses arquitetos mostraram essa vontade de entregar o acervo deles e que contactaram a Casa da Arquitetura, muito também pelo “reconhecimento internacional da Casa” e também consequência do trabalho feito com os arquivos de Paulo Mendes Rocha e Lúcio Costa, entre outros, explicou.

O acervo do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha foi incorporado em 2020 na Casa da Arquitetura – Centro Português de Arquitetura, num anúncio feito meses antes de morrer, e englobou todo o material produzido durante a sua vida profissional, desde a década de 50 do século passado até ao século XXI.

O acervo de Paulo Mendes Rocha, Leão de Ouro de carreira na Bienal de Arquitetura de Veneza em 2016, engloba cerca de 8.800 itens, relativos a mais de 320 projetos e é composto por aproximadamente 6.300 desenhos analógicos, cerca de três mil fotografias e ‘slides’, um conjunto de maquetes feitas pelo próprio, bem como cerca de 300 publicações.

No mês passado, foi anunciado que o espólio do arquiteto e urbanista brasileiro Lúcio Costa, criador de Brasília, foi doado à Casa da Arquitetura, que se comprometeu a divulgar o acervo numa plataforma em 2022.

O acervo, doado pela família do arquiteto, engloba cerca de 11 mil documentos de 1910 a 1998, incluindo cinco cadernos de anotações e esboços que atestam as viagens de Lúcio Costa a Portugal, em 1948 e 1952.

Na sequência do anúncio de que o espólio de Lúcio Costa seria integrado na Casa da Arquitetura, o arquiteto e ensaísta Francesco Perrotta-Bosch publicou na Folha de São Paulo um artigo de opinião sob o título “Brasil deve investir na preservação dos arquivos de seus arquitetos”, no qual defendia que “cabe ao Brasil criar uma instituição de mesmo propósito, começando com acervos que não estão sob uma salvaguarda institucional sólida como o de João Filgueiras Lima, o Lelé, de Éolo Maia, ou mesmo de Oscar Niemeyer”.

No mesmo texto, Perrotta-Bosch indicava que seria importante questionar a Casa da Arquitetura sobre como e quando será disponibilizada a plataforma digital com os conteúdos dos acervos, quantas pessoas estão a trabalhar na área dos arquivos dentro da instituição e “como será o intercâmbio entre Brasil e Portugal no programa de bolsas de pesquisa para o trabalho ‘in loco’ no arquivo”.

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