Análises feitas por iniciativa do PSD/Matosinhos às águas balneares revelam bactéria

Praia Matosinhos_foto de arquivo em cm-matosinhos

O PSD/Matosinhos revelou esta quarta-feira ter pedido análises às águas balneares que revelaram a presença de uma bactéria em valor próximo do máximo permitido por lei, pelo que acusa a gestão PS de pôr em perigo a saúde pública.

Num comunicado, o presidente do PSD de Matosinhos, Bruno Pereira, remete para os resultados de “análises independentes” feitas por iniciativa da concelhia social-democrata às águas costeiras e de transição, a 09 de setembro.

“Os resultados para [a bactéria] ‘E.Coli’ estão próximos do limite máximo permitido e acima do dobro do valor considerado aceitável”, refere o PSD, acrescentando ter tido acesso a “inúmeros relatos de banhistas que, durante toda a época balnear, tiveram de receber tratamento hospitalar e farmacêutico”.

De acordo com o PSD/Matosinhos, “o resultado dos ensaios microbiológicos, demonstra que relativamente à quantificação de ‘E.Coli’ o valor fornecido é de 805”.

“Contudo, a este número está associado um erro de ± 257,60; por esta razão o valor de doseamento (805) é acompanhado das seguintes unidades NMP/100 (o que significa: número mais provável em 100 ml). A 805, se associamos o erro positivo de 257,6 temos um valor de 1.063, o que aproxima este valor do limite máximo permitido e se encontra acima do dobro do valor considerado aceitável, com base no Decreto-lei 113/2012”, é descrito no comunicado.

Com base neste resultado, e recordando que, em agosto, foram interditas praias e colocadas bandeiras vermelhas em areais de Matosinhos (no distrito do Porto) até Ílhavo (no distrito de Aveiro), Bruno Pereira acusa a autarquia liderada por Luísa Salgueiro de “nada” ter feito perante uma “situação que coloca em perigo a saúde pública”.

“O que fez o município de Matosinhos para minimizar este flagelo? Nada. O PSD de Matosinhos e seus autarcas não podem deixar de manifestar a sua preocupação”, lê-se no comunicado.

Bruno Pereira, que é também vereador na autarquia, diz lamentar “a posição de distanciamento que a Câmara Municipal de Matosinhos sempre assumiu sobre esta questão”.

No texto, Bruno Pereira começa por recordar que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) “apurou a presença de valores microbiológicos acima dos parâmetros de referência na água”.

Bruno Pereira também recorda que Luísa Salgueiro é também líder da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e considera “impressionante” que se verifiquem linhas de água a desaguar nas praias deste concelho que são “verdadeiros esgotos a céu aberto e nos quais ainda não se corrigiram as ligações indevidas de esgotos”.

Por fim, lembrando que a praia de Matosinhos é uma as principais da Área Metropolitana do Porto, por ser “a única servida pelo metro e frequentada durante todo o ano”, o PSD aconselha a câmara a tomar medidas “por forma a respeitar a saúde publica”.

“Não é aceitável sujeitar a população a estas perigosidades e comprometer a atividade económica e turística de Matosinhos”, termina.

A agência Lusa solicitou esclarecimentos à Câmara de Matosinhos que recordou que a competência para a monitorização e avaliação da qualidade das águas balneares no território nacional, em período de época balnear, é da APA.

Segundo a autarquia, este ano, na praia de Matosinhos, a APA realizou 13 análises segundo calendário oficial e cinco suplementares.

“Das 13 amostras do calendário oficial, todos os resultados apresentaram aptidão para a prática balnear. Se enquadradas nos critérios mais exigentes da Bandeira Azul (BA), oito dessas amostras cumpriram o mesmo. Das cinco suplementares, quatro apresentaram-se aptas à prática balnear”, descreveu a autarquia que admite, no entanto, que “uma amostra resultou no desaconselhamento a banhos, não havendo interdição”.

Ainda de acordo com o executivo presidido por Luísa Salgueiro, foi apurado que o resultado negativo “decorreu de um problema em equipamento da rede de drenagem, prontamente resolvido”.

Paralelamente, a Câmara de Matosinhos garante que monitoriza a praia de Matosinhos e que a partir de 17 de junho efetuou um total de 13 amostras (a última a 15 de setembro) e que “todas demonstram aptidão para a prática balnear”, sendo que nove amostras cumpriam o critério da BA.

Sobre as análises realizadas por iniciativa o PSD, o executivo socialista disse que não comenta “resultados de relatórios que não são conhecidos”.

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