PSD é contra contração de empréstimo pela Câmara de Matosinhos

Foto A Santos

Os vereadores do PSD Matosinhos votaram contra a contração de um empréstimo pela Câmara Municipal de quase 65 milhões de euros.
Os social-democratas justificam a decisão ao afirmarem que o empréstimo “impacta futuros mandatos e alerta que a dívida do município cresce para 105 milhões de euros.”

Para os vereadores do PSD esta é uma operação que “não pode avançar sem uma fundamentação financeira, técnica e económica mais completa”, dada a sua dimensão, tendo em conta que iria absorver “cerca de 81% da margem excecional de endividamento disponível” da autarquia.

Em comunicado os elementos do PSD alertam ainda para a discrepância entre o que foi anunciado publicamente e a proposta levada à reunião de Câmara: “A Presidente da Câmara anunciou publicamente uma operação de cerca de 40 milhões de euros para a construção de 500 habitações de renda acessível, mas a proposta submetida aos órgãos municipais ascende a 64,97 milhões. Na componente habitacional, apenas 17,7 milhões de euros estão identificados para construção, enquanto 22,87 milhões se destinam à reabilitação de conjuntos habitacionais existentes. Acresce que mais de 200 das 500 habitações anunciadas serão da responsabilidade do IHRU.”

Recorde-se que numa recente entrevista de Luísa Salgueiro, concedida ao Notícias Primeira Mão/Rádio NoAr, a presidente da Câmara de Matosinhos afirmou que a autarquia “tem capacidade de endividamento até 80 milhões de euros e nós não queremos o dinheiro no banco, nós queremos o dinheiro ao serviço das pessoas”. Falando num contexto da execução a 100% das verbas do PRR, Luísa Salgueiro explicou que esse resultado era fruto de uma opção política da autarquia que, perante a lentidão dos processos de decisão da parte das entidades governamentais, “a Câmara o que faz é avançar para os investimentos antes das aprovações, nós neste momento já estamos a construir habitação, pós PRR, não há ainda financiamento garantido por parte do governo e nós fomos à banca, pedimos um empréstimo, abrimos concurso e já adjudicámos. Portanto, em setembro a autarquia começa a construir mais casas sem financiamento nacional, é só com o orçamento da Câmara e posteriormente há-de vir financiamento nacional que pagará o nosso empréstimo”.

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