Nuno Pires (PAN) espera que o fecho da GALP seja oportunidade para a “economia verde” – ENTREVISTA com Podcast

Nuno Pires
Nuno Pires, 39 anos, é assessor parlamentar do PAN. Tem formação em Informática. É natural do Porto, mas já residiu em vários concelhos da Área Metropolitana. Atualmente, a residência permanente é em Penafiel, embora ainda tenha família e passe as férias no concelho de Matosinhos.
Candidata-se pelo PAN à Câmara Municipal de Matosinhos com uma visão ecocêntrica. A sua ligação ao PAN aconteceu em 2018, graças à “vivência transformadora” do nascimento da filha, no ano de 2016.
Nuno Pires e a sua mulher consideraram, na altura, que os direitos da mulher na gravidez e no parto não estavam a ser devidamente respeitados. Encontrou no PAN a defesa desses direitos e políticas com as quais se identificou.
Pela mesma altura, tornou-se vegetariano, por uma opção pessoal devido “à defesa da questão ambiental”. Também nesta matéria encontrou programa no PAN, que considerou que poderia fazer a diferença e resolveu aderir ao partido.
Em Matosinhos, nas próximas eleições, o PAN apresenta três candidaturas: à Câmara, Assembleia Municipal e Assembleia de Freguesia de S. Mamede de Infesta e Senhora da Hora. São os primeiros passos de afirmação do PAN em Matosinhos, a acrescentar a quatro anos de trabalho da força política (com um deputado na Assembleia Municipal, Albano Lemos Pires), que a equipa quer levar por diante de forma segura e “sustentada”.
PAN não quer apresentar listas só para aparecer
Nuno Pires afirma que não faz sentido apresentar listas só para aparecer e, dado que o PAN ainda tem pouco historial e “recursos financeiros e humanos limitados”, entendeu-se que, por enquanto, seriam concretizadas apenas estas três candidaturas.
Mas o PAN não parte do zero nestes eleições Autárquicas, já que Nuno Pires recorda que “há muito trabalho feito e muito reconhecido”. Assim, garante, “há condições para aumentar o número de deputados na Assembleia Municipal”.
No que concerne à Câmara, há que ser realista: “não vamos dizer que conseguimos ganhar a Câmara de Matosinhos, mas vamos lutar por ter alguma representatividade no órgão executivo”.
A visão ecocêntrica do PAN, explica Nuno Pires, é que “a saúde humana, sem levar em consideração a saúde da Natureza (e aqui incluindo os animais, humanos e não humanos) nunca será completa”. O modelo de vida defendido pelo PAN é “baseado na empatia e inclusão” quer na própria vivência social – “basta ver as políticas que defendemos em Matosinhos para a comunidade LGBTI em que existe a declaração como cidade Arco-íris” -, quer também com a Natureza, “não focando o ganho do ser humano em detrimento da Natureza”, mas sim, “lado a lado”.
“as mentalidades mudam através do conhecimento”

Nuno Pires defende, tal como o PAN, que “as mentalidades mudam através do conhecimento”. Por isso, um dos projetos que advoga para Matosinhos é a sensibilização e informação das pessoas para a qualidade “daquilo que comem”, baseando a informação sempre em “conhecimento com suporte científico”. E aqui, refere-se a informação em “termos nutricionais e de saúde humana e também sobre o impacto ambiental” dos tipos de alimentação.
Nuno Pires lembra que “o relatório da ONU recentemente divulgado revela que a produção de metano (que provém da exploração agropecuária massiva) é gravíssima”. Logicamente, sublinha, “não podemos pedir às pessoas que se tornem vegetarianas de um dia para o outro”, basta que se divulgue informação e deixar que as pessoas, “a seu tempo, vão tomando as suas decisões”.
Alargamento da oferta vegetariana nas cantinas públicas
O candidato do PAN defende o alargamento da oferta vegetariana nas cantinas públicas, a diversificação de menus vegetarianos na restauração para quem é vegetariano ou para quem quer apenas experimentar ou, simplesmente, pretenda gradualmente reduzir o consumo de carne ou peixe na sua alimentação. Outra medida apontada por Nuno Pires é a disseminação de hortas no centro da cidade, permitindo às pessoas “cultivarem os seus próprios alimentos”.
O candidato do PAN considera que os fundos do PRR – Plano de Resolução e Resiliência devem ser bem aproveitados para o desenvolvimento das causas do PAN e, naturalmente, pretende que essas verbas sejam aplicadas em projetos que tornem Matosinhos marcante nestas áreas. E acrescenta que, por influência do PAN, Matosinhos “já é uma referência a nível nacional no bem-estar animal”, de que é exemplo a criação do parque de matilhas.
Rendas acessíveis a jovens
O município poderá ainda avançar com vários projetos na área da Educação, com a sensibilização das crianças e jovens nas questões ligadas à sustentabilidade, e também, aponta outro exemplo, na habitação social. “Os jovens e quem se encontra em carência económica” merecem ter oportunidade – “independentemente da sua condições económica – de viver em Matosinhos com valores adequados”, pois os preços das rendas têm-se tornado exorbitantes.
Outro problema a que pretende dar atenção é à mobilidade em todo o concelho. Nuno Pires ressalva que é importante garantir certamente novas linhas do metro, mas o que acontece é que nem todo o município é servido por este transporte público, sendo necessário pensar noutras formas de ligação. Uma das propostas de mobilidade que considera importante é a de caraterística “suave”. Nesta matéria, afirma que não basta ter algumas pistas de alguns quilómetros, torna-se necessário fazer ligações de trajetos mais utilizados, que permitam a ligação suave casa/trabalho, complementando com apoios na comparticipação da compra de bicicletas.
Soluções para a GALP devem ser apontadas por especialistas
Quanto aos terrenos da refinaria da GALP e a eventualidade de aquela zona poder ser afeta a outro tipo de exploração, o candidato do PAN quer que “soluções específicas sejam encontradas pelos especialistas da área”. No entanto, afirma que, com o fecho da refinaria e a “perda de 1600 postos de trabalho no concelho, num total de 5 mil perdidos no Grande Porto”, entende que a solução poderá não ser a aposta em “grandes empresas, que não têm respeito pelo trabalhador ou pelo local onde estão inseridas e fecham de um dia para o outro”. Em vez disse, frisa, deve-se pensar na “economia verde”, com empresas “que possam contribuir para a sustentabilidade do concelho”.
Entrevista na íntegra (áudio):

 

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