Luísa Salgueiro classifica de “invenção” acusações sobre tráfico de influências

Luísa Salgueiro

 A presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, classificou hoje de “invenção” uma alegada acusação pelo crime de tráfico de influências, e reiterou que é arguida “exclusivamente” por causa da nomeação da sua chefe de gabinete.

“Acho isso uma invenção. Hoje foi a notícia que saiu e podia ser outra qualquer. Quando estamos no domínio da invenção tudo pode acontecer. Eu posso falar daquilo que está no processo e o que está no processo é a nomeação a minha chefe de gabinete”, disse a autarca.

À margem da apresentação do Plano Neutralidade Carbónica 2030 de Matosinhos, a também presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) reagia a uma notícia de hoje avançada pelo Correio da Manhã, que dá conta de que a presidente da Câmara de Matosinhos foi constituída arguida no âmbito da “Operação Teia” por suspeitas de ter praticado o crime de tráfico de influências a favor da empresária Manuela Couto e de Joaquim Couto.

De acordo com o diário, as suspeitas que recaem sobre Luísa Salgueiro “estão consolidadas em escutas telefónicas recolhidas pela Polícia Judiciária”.

Em causa está um processo relacionado com a nomeação de Marta Laranja Pontes como chefe de gabinete da presidência em Matosinhos.

Luísa Salgueiro está atualmente com Termo de Identidade e Residência.

“É um assunto que compete à justiça, mas já que foi trazido para a praça pública não por mim, mas pelos órgãos de comunicação social, tenho de dizer o que leio do processo. A minha constituição de arguida é exclusiva sobre a nomeação da minha chefe de gabinete”, reiterou hoje Luísa Salgueiro.

Vincando sempre que “o assunto está a ser tratado nas instâncias próprias”, a autarca disse que foi “notificada da constituição como arguida com base em um parágrafo”, no qual lhe é “exclusivamente” imputada a responsabilidade de ter nomeado a chefe de gabinete sem o cumprimento da lei, sem concurso público.

“É exclusivamente esse o tema que consta do processo. O resto desconheço e não tenho nenhuma relação com isso. [Esta nomeação] foi feita da mesma forma que é feita por todos os presidentes e não é por ser uma prática comum, é porque a lei é expressa quando diz que os chefes de gabinete da presidência são designados pelo presidente. Foi isso que eu fiz e é só isso que está em causa no processo”, sublinhou.

O Correio da Manhã acrescenta hoje que Luísa Salgueiro está a ser investigada por ter nomeado a sua chefe de gabinete, Marta Pontes, num contexto de “triangulação de alegados favores” a Manuela Couto e a Joaquim Couto, ex-presidente da Câmara de Santo Tirso e dirigente histórico do PS, bem como a José Laranja Pontes, então presidente do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto e pai de Marta Laranja Pontes.

Ainda de acordo com o jornal, o interesse de Manuela Couto passava por manter os contratos de prestação de serviços de comunicação no IPO do Porto.

Esta foi a primeira vez que Luísa Salgueiro falou publicamente sobre este processo depois de, no dia 12, em declarações à revista Sábado, a autarca socialista ter confessado estar “entre a perplexidade e a indignação”.

A “Operação Teia”, desencadeada em 29 de maio de 2019, centrou-se nas autarquias de Santo Tirso e Barcelos, bem como no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, e investigou suspeitas de corrupção, tráfico de influência e participação económica em negócio, traduzidas na “viciação fraudulenta de procedimentos concursais e de ajuste direto”, segundo a PJ.

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