O guarda prisional acusado de introduzir droga e telemóveis na prisão de Custóias, em 2017, remeteu-se ao silêncio no início do julgamento, hoje, onde estão também envolvidos quatro reclusos e a ex-companheira de um deles, que admitiu o seu envolvimento.
O arguido, atualmente pescador, está acusado de dois crimes de corrupção passiva, enquanto os outros cinco coarguidos respondem por corrupção ativa.
Dois dos cinco arguidos, um por se encontrar no Brasil e outro evadido desde julho de 2024, não chegaram a ser notificados, tendo o tribunal de Matosinhos decidido, a pedido do Ministério Público (MP), a separação dos respetivos processos para não atrasar o julgamento dos presentes.
Os advogados de defesa ainda tentaram a nulidade do processo, alegando que o prazo máximo de inquérito, que consideram ser de oito meses (face à inexistência de especial complexidade), foi ultrapassado, mas sem sucesso.
De acordo com a acusação do MP, o guarda prisional introduziu, em 2017, no Estabelecimento Prisional de Custóias, em Matosinhos, telemóveis, cartões SIM, cabos e droga, em três ocasiões distintas.
Os produtos destinavam-se aos reclusos e seriam vendidos a terceiros no interior da cadeia.
Na última dessas entregas, o guarda foi intercetado por colegas.
Ouvidos como testemunhas, o comissário e o chefe da Guarda Prisional do Estabelecimento Prisional do Porto relataram a operação conjunta com a PSP que permitiu intercetar o arguido, descrevendo uma “espera” montada na zona da torre onde o guarda prisional prestava serviço e a apreensão, no momento da rendição, dos pacotes de leite que ocultavam telemóveis e cerca de 50 gramas de haxixe.
Em tribunal, o chefe da Guarda Prisional de Custóias, presente no momento da detenção, relatou que, quando foi intercetado, o arguido admitiu que iria receber uma vantagem de 400 euros.
