Num podcast do Notícias Primeira Mão/Rádio Noar com a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, como convidada a conversa começou por abordar a qualidade das praias na época balnear, começando pelas questões ambientais.
Podcast pode ser ouvido aqui na íntegra:
Do ponto de vista geral, explicou Luísa Salgueiro, “as praias do Concelho de Matosinhos apresentam altos padrões de qualidade também do ponto de vista ambiental. Por isso é que temos 19 praias com bandeiras azuis e dessas 13 têm aliás a qualidade do ouro. Isso significa que são sujeitas à avaliação de todos os parâmetros e que passam com nota máxima.”
Porém, há duas situações distintas, esclarece: “Por vezes ocorrem situações de descargas irregulares que têm impacto direto, portanto, que drenam para as ribeiras e que vão até ao mar e que levam à interdição ou desaconselhamento também de algumas praias. Aconteceu isso há dias em Angeiras. (…) Houve uma empresa que fez uma descarga, que tivemos de identificar, mas são situações pontuais,”, entre outros casos nos últimos anos.
Assim, disse a autarca, que “a situação mais difícil ocorre na praia de Matosinhos, que é a maior praia do norte do país, que é aquela que atrai mais pessoas e que, nos últimos anos, tem vindo vindo a assistir a uma degradação da qualidade de água. No ano passado a água, em função dos resultados das análises, foi classificada como má”.
O certo é que a “informação que está fixada na praia de Matosinhos, nesta época balnear, decorre das avaliações feitas no ano passado”. Já este ano, todas as análises – e são feitas três vezes por semana em três locais distintos da praia – “são muito boas. A qualidade de água da praia de Matosinhos está ao melhor nível de sempre, mas só se notará o resultado deste verão na próxima época Balnear”, esclareceu.
Luísa Salgueiro salvaguarda: “Não significa que amanhã não possa haver uma análise com um problema, mas até hoje, dia 6 de agosto, não tivemos nenhuma análise negativa e a água tem estado com classificação excelente”.
Apesar da melhoria, cujos fatores não estão na totalidade identificados, a Câmara continua a trabalhar na melhoria das praias, tendo Luísa Salgueiro lembrado a entrevista de há um ano:
“O que eu disse aqui há um ano, quando vim à entrevista ainda no âmbito da campanha eleitoral, foi que a Câmara de Matosinhos estava a trabalhar, conjuntamente com a Câmara do Porto, com a APDL, a APA, com a Faculdade de Engenharia, com o ICBAS, para estudar no sentido de encontrar soluções para aquilo que vinha acontecendo, que era a degradação da qualidade da água. Há vários níveis, na identificação de ligações ilegais que vão para a Ribeira da Riguinha, para a Ribeira de Carcavelos e que desaguam todas na praia, ali junto à Anémona”.
A autarquia está a monitorizar o que se passa na Ribeira da Riguinha, a identificar ligações clandestinas, confusão entre águas residuais e águas pluviais, para eliminar essas situações. Luísa Salgueiro adianta que foi agora lançado “um concurso finalmente para construir o prolongamento da Ribeira da Riguinha, uma obra na ordem dos 7 milhões de euros, que será suportada 50% pela Câmara de Matosinhos, 25% pela Câmara do Porto e 25% pela APDL. É uma infraestrutura que vai pousar na areia, que vai permitir dispersar mais a carga que chega à Ribeira da Riguinha, que se pretende que dure algum tempo, alguns anos, mas que não seja definitiva, embora que funcione enquanto não se conseguem eliminar todos os focos de poluição permitindo que a qualidade da água do mar em Matosinhos também melhore”.
De um ponto de vista geral “as praias estão bem”, realçando as 12 praias acessíveis onde as pessoas que têm necessidades especiais de mobilidade podem ir, com tapetes adequados, com cadeiras anfíbias, com profissionais que transportam pessoas que têm mobilidade reduzida para que possam ir ao mar”. Para além disso a Câmara acrescentou equipamento: paraventos individuais, paraventos coletivos, também cadeiras de espreguiçadeiras de rede ao longo da costa, cadeiras para as pessoas desfrutarem da paisagem, as estruturas “muda aqui” para que as pessoas possam mudar de roupa, ainda os lava-pés e os bebedores.
Ainda na praia, os passadiços em madeira estão em fase de manutenção, que não estará finalizada a tempo desta época balnear, admite a presidente da Câmara. Há um novo que está a ser construído e preparado para bicicletas, triciclos, patins, que liga o rio Onda, que vem desde Vila do Conde, liga desde a Angeiras até Leça da Palmeira, mas ainda não está concluído. Mas, refere Luísa Salgueiro, “as pessoas questionam porque é que ao lado, os passadiços mais antigos estão em alguns casos estragados e nós não os reparamos… Nós realizámos duas empreitadas, uma para fazer um novo passadiço e outro para a manutenção do existente, acontece que os prazos derraparam, nós estamos ainda a aguardar o visto do Tribunal de Contas, pelo que não podemos começar a obra”. De qualquer forma, sublinha, estes são “passadiços usados todo o ano e esperamos que em breve eles estejam impecáveis como nós queremos e Matosinhos merecia”.
A entrevista abordou vários outros temas, que podem ser escutados no Podcast, finalizando com a garantia do cumprimento a 100% da aplicação das verbas do PRR em Matosinhos, sendo uma grande fatia desse montante adjudicado à habitação.
Apesar de Matosinhos não ter falta de casas, garante a autarca, já que “há mais casas disponíveis do que as necessárias, só que estão devolutas, ou encerradas, não estão disponíveis, portanto nós precisamos construir habitação”. Assim, garantiu: “fizemos uma estratégia local da habitação e fomos financiados em 111 milhões de euros para executar a nossa estratégia local da habitação, que passa por várias respostas, passa por criar espaços para bolsas de alojamento temporário, que inaugurámos há duas semanas, passa por reabilitar casas já existentes e de dar-lhes conforto térmico e melhores condições, que já fizemos, e passa por construir habitação. No nosso caso, nós propusemos construir 512 novas casas, até ao fim deste mês, e nós vamos entregar todas e vamos executar o PRR a 100%”.
E Luísa Salgueiro diz com “grande orgulho” que até dia 25 ou 26 deste mês a Câmara, não vai apenas executar financeiramente, vai “entregar as casas às pessoas”.
Para este resultado, salienta que toda a equipa autárquica tem sido “incansável” e que é o resultado de uma opção política da Câmara que, perante a lentidão dos processos de decisão da parte das entidades governamentais, “a Câmara o que faz é avançar para os investimentos antes das aprovações, nós neste momento já estamos a construir habitação, pós PRR, não há ainda financiamento garantido por parte do governo e nós fomos à banca, pedimos um empréstimo, abrimos concurso e já adjudicámos. Portanto, em setembro a autarquia começa a construir mais casas sem financiamento nacional, é só com o orçamento da Câmara e posteriormente há-de vir financiamento nacional que pagará o nosso empréstimo”.
Tudo isto porque “a Câmara de Matosinho tem capacidade de endividamento até 80 milhões de euros e nós não queremos o dinheiro no banco, nós queremos o dinheiro ao serviço das pessoas”, afirmou Luísa Salgueiro.
