Alfredo Maia quer que a CDU volte a estar na Câmara (C/ Podcast)

Alfredo Maia
Alfredo Maia esteve durante quatro anos na Assembleia Municipal e sublinha que o trabalho foi intenso na bancada da CDU. Assim, já foi apresentado como candidato por esta força política à Câmara da Maia, nas eleições Autárquicas deste ano, para tentar fazer ainda melhor no órgão executivo. Nesta entrevista ao Primeira Mão, Alfredo afirma que falta a voz próxima do povo na Câmara, no fundo, assume-se como a alternativa para a governação da Maia.
Há 4 anos o eleitorado não reelegeu a vereadora da CDU, mas elegeu dois deputados na AM. É com esse crédito de confiança e após quatro anos de trabalho, que resolve aceitar o convite da CDU para encabeçar a lista à Câmara da Maia?

A CDU e os deputados na Assembleia Municipal (AM) fazem um balanço muito positivo do trabalho nestes quatro anos, um trabalho muito intenso, com muita participação nas discussões em todos os temas nas sessões. Tomamos iniciativa: a CDU apresentou mais de 30 propostas, dois terços das quais foram aprovadas. Evidentemente, algumas não foram levadas à prática, por razões que se compreende…

Assim, a avaliação feita foi no sentido de procurar no próximo mandato valorizar a ação da CDU, tentando reconquistar um lugar na Câmara Municipal, para fortalecer a nossa intervenção. Se fomos capazes de fazer o trabalho que fizemos na AM, valorizando as propostas e auscultando as populações e seus problemas, certamente que faremos ainda melhor se estivermos no executivo municipal.

No que considera que a CDU fez falta, neste mandato, no executivo maiato?

Há exemplos muito evidentes e posso dar um muito claro: a questão da travessia à variante da EN14. Se a CDU estivesse no executivo, não teria acontecido o que aconteceu com as populações de Gondim e de Avioso, não teriam tido a necessidade de lutar, o que aconteceu com o nosso apoio, para que fosse restabelecida a comunicação entre as duas antigas freguesias com a colocação de uma passagem superior. Simplesmente, toda a gente se tinha esquecido daquilo, incluindo a Câmara.

O próprio regulamento de Habitação Pública foi apresentado à AM numa versão carregada de erros e até de ilegalidades. Graças à CDU, foi retirado da Ordem de Trabalhos para correção e foi novamente a consulta pública. Aqui, a CDU contribuiu com um extenso documento com propostas e sugestões àquele regulamento. Ele irá em breve novamente à Assembleia e inclui algumas, embora poucas, das nossas contribuições. Mas o certo é que o documento poderia ter sido enriquecido muito a montante. Da mesma maneira que há um conjunto de matérias que a CDU, como conhece os problemas, poderia ter intervido a montante.

Outro exemplo recente, o que está a acontecer com o Mercado Municipal do Castelo da Maia é um escândalo. A Câmara Municipal, por unanimidade, note-se, aprovou nada mais nada menos que a expulsão dos comerciantes do Mercado, sob a desculpa que o vão modernizar. A verdade é que os vendedores não terão lá lugar e o que vai acontecer é uma limpeza social. Se estivéssemos no executivo, teríamos votado contra como, de resto, o fizemos quando a proposta foi discutida em AM.

Nessa sessão, o presidente da Câmara veio dizer que esta remodelação já estava no manifesto eleitoral da sua candidatura há quatro anos. Mas isso não é bem assim, ou melhor, consta do programa da coligação Maia em Primeiro de uma forma muito eufemística, que quer dizer praticamente zero: «estamos a trabalhar afincadamente para requalificarmos e reorientarmos os mercados municipais». Ora, a palavra chave é esta: o que querem dizer com reorientar?

A verdade é que a Câmara há anos que não investe nos mercados do Castelo e de Pedrouços, que estão degradados, e agora vai entregar a operadores privados para os requalificar de uma maneira completamente diferente, penalizando comerciantes, as populações que procuram produtos frescos e os produtores locais de produtos hortícolas.

Na sua apresentação falou muito de habitação, vias de comunicação e transportes. Serão as principais bandeiras da candidatura CDU?

Justamente. A habitação é um problema gravíssimo que a Maia tem e que continua a ocultar, tendo inúmeras bolsas de habitação abarracada, não só na periferia, aqui no centro da cidade há ilhas com profunda degradação e bolhas de pobreza. Em termos de necessidades, os números do IHRU (Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana) apontam para 816 fogos, mas a verdade é que a necessidade real ultrapassa um milhar. É preciso satisfazer de imediato estas necessidades, mas também é preciso um exercício de prospetiva no sentido de prevenir as próximas necessidades. Ora, assistimos a um protocolo com o IHRU para a construção de apenas 757 fogos.

Temos repetido que compete, em primeira linha, ao Estado central resolver este problema, mas a autarquia também tem instrumentos que podem auxiliar a resolver este problema. O município da Maia tem cerca de 832 terrenos suscetíveis de construção no seu património e tem também um património edificado, que pode ser adaptado para habitação. Mas não o faz e fica dependente das soluções do Estado.

A questão dos transportes coletivos é de facto uma bandeira da CDU. Defendemos: o alargamento de todas as carreiras no concelho para a ligação das freguesias periféricas ao centro e também aos concelhos limítrofes; a expansão do transporte público em geral; a expansão da rede do metro para a Trofa e Hospital de S. João; e com extraordinário significado a reposição do transporte de passageiros nos chamados ramais de Leixões, que num sentido liga Leixões a Ermesinde, e noutro, liga Leixões a Contumil com um ponto modal em Sangemil. São milhares e milhares de passageiros da Maia que poderiam ser drenados para esse sistema.
Na última sessão da AM, o presidente da Câmara veio dizer que “nós é que conseguimos reabrir essas linhas”, mas a verdade é que quem desde o início defendeu isso foi a CDU, de resto, até está em destaque no nosso manifesto de há quatro anos.

O estudo que foi aprovado recentemente pela AMP para restabelecer essas linhas de passageiros é suficiente para resolver o problema de transporte de muitos maiatos?

A reposição de transporte de passageiros naquelas duas linhas tem de obedecer a um todo muito coerente e integrado. Devo chamar a atenção que não resultará repor o tráfego de passageiros no ramal de Leixões se ele não for realizado em toda a extensão do ramal. E o que temos ouvido falar é da chamada linha dos trabalhadores, ficando limitado até Guifões. O que se pretende é que todas as linhas estejam disponíveis desde Matosinhos até Ermesinde e até Contumil.

Mas depois é preciso assegurar que esses ramais sejam dotados de estações colocadas estrategicamente de modo a servir bolsas significativas da população, não esquecendo o entrosamento do transporte ferroviário pesado com o metro. Os resultados serão potenciados se a linha de Leixões se cruzar num interface com a futura linha do metro, que há-de prolongar-se do Hospital de S. João, passar por Pedrouços e Águas Santas e fazer depois uma inflexão para a Maia.

É crítico da falta de investimento da Câmara da Maia nas vias de comunicação, não é verdade?

Sim, e do desinvestimento. As vias de comunicação são uma manifestação física gritante de como há uma Maia a duas e três velocidades em termos de desenvolvimento do território. Aqui, no centro temos um bilhete postal apresentável, mas depois percorremos o resto do território e há inúmeras ruas que continuam estreitas, com pisos degradados e sem passeios, o que não dá segurança nenhuma aos peões.

Não só não há investimento como há recuo. Ainda na última AM (a 31 de maio) foi decidida uma revisão orçamental com a retirada de uma verba substancial destinada ao prolongamento da Av. Dr. José Vieira de Carvalho, em Moreira. Trata-se de um projeto de 2011! Há dez anos que não se faz aquela obra importantíssima para a ligação das pessoas ao Centro de Saúde, que serve as populações de Moreira e VN Telha, e também à Junta de Freguesia de Moreira.

Para este ano, em termos de obras nas vias rodoviárias de interesse local, previa-se 10,7 milhões de euros, que deveriam ser dedicados aos 60 projetos de significado local, que se arrastam há longos anos. Pois muito bem, mas em termos de orçamento definido há apenas 2,8 milhões para 26 projetos.

Que trabalho está a ser feito na elaboração de listas da CDU para as freguesias?

É um trabalho coletivo, em que a formação das listas é apenas um aspeto da preparação das eleições. Este processo resulta de uma intensa participação dos militantes e amigos da CDU. Ainda há dias realizou-se um Encontro Autárquico muito participado. O objetivo será apresentar candidaturas em todas as uniões de freguesias. Neste mandato temos quatro eleitos em freguesias e queremos reforçar a nossa representatividade, naturalmente.

Em termos políticos, considera que com divisões internas no PS, tem oportunidade de conquistar mais votos e lugares na Câmara e na AM?

Não queria comentar a situação interna das outras forças políticas…

Mas há também aqui uma mudança de protagonistas para as próximas eleições?

Parece público que, por várias ordens de fatores, pode haver alterações na correlação de forças. E isso significará, em termos de composição quer do executivo quer da AM, que pode haver uma alteração expressiva. Mas o que nos importa salientar é que, independentemente das dinâmicas de outras forças e das diferentes variáveis que podem concorrer para uma alteração da correlação de forças, o nosso objetivo central é valorizar o nosso trabalho.

Qualquer que seja a alteração de outras forças, o que nos importa salvaguardar é que a votação na CDU seja reforçada, no sentido que a população confirme que pode confiar em nós e que somos uma força de iniciativa e de crítica, que realiza as suas tarefas, sempre e sempre, sob a nossa tradicional consigna ‘trabalho, honestidade, competência’.
Por conseguinte, sem dúvida que o reforço da CDU será determinante para alterar o rumo de governação na Maia.

 

Podcast Entrevista:

 

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