Mariana Nina Silvestre (Iniciativa Liberal) candidata-se à Câmara da Maia com forte ambição política (c/ Podcast)

Mariana Nina Silvestre_foto DR

 

 

Mariana Nina Silvestre tem 44 anos e vive na Maia há mais de 23. No final de junho apresentou a sua candidatura à Câmara Municipal da Maia pelo partido Iniciativa Liberal, prometendo trazer mais transparência à Maia.

Nesta entrevista, a candidata do IL mostra-se ambiciosa apontando como meta a eleição de quatro deputados para a Assembleia Municipal e um a dois vereadores no executivo.

 

 

O que a leva a uma candidatura e porquê a Iniciativa Liberal?

Eu sempre fui liberal, mesmo quando não sabia enunciar os fundamentos do liberalismo. Desde muito nova, nas discussões que tinha com os amigos, não sabia onde me colocar (na esquerda ou na direita), porque tinha uma visão e uma perspetiva do mundo muito própria e que partia muito pela liberdade e pela ideia que o indivíduo vale por si só e é diferente de todos. Portanto, cada indivíduo é especial. Fui crescendo, fui lendo e apercebi-me que havia uma filosofia política chamada liberalismo, onde eu encontrei uma casa ideológica.

Quando o partido Iniciativa Liberal surgiu, decidi, depois de ouvir o antigo presidente, o Carlos Guimarães Pinto, que a IL era uma alternativa ao socialismo que já vivemos há mais de 40 anos e que faria sentido aplicar na prática, as ideias que sempre defendi. Juntei-me ao partido, fiz parte da comissão executiva desta presidência, com o João Cotrim Figueiredo e, na altura, foi-me dado um desafio que era criar um acordo territorial da Maia, algo que eu aceitei, juntei as pessoas e formamos um núcleo. No dia 6 de julho fez um ano da constituição deste núcleo territorial. Com este processo das Autárquicas e depois de alguma discussão dentro do núcleo, foi quase natural que eu me apresentasse como candidata, numa cidade em que já vivo há mais de 23 anos.

Que perfil de pessoas é que pretende na sua equipa?

A equipa já está a ser constituída, tem algumas pessoas muito firmes e a equipa de trabalho para as Autárquicas tem o melhor perfil. São pessoas extremamente competentes, que acreditam no liberalismo e nos seus valores.

Já tem definidas candidaturas para outros órgãos, como juntas de freguesia?

Este ano só estamos a apresentar lista à Câmara Municipal e à Assembleia Municipal da Maia. Não tivemos condições para apresentar às juntas de freguesia, mas cremos que daqui a quatro anos estaremos em condições para o fazer.

Quais são os candidatos já conhecidos?

É uma apresentação em bloco constituído por quatro mulheres muito fortes. A número dois da lista à Câmara Municipal é Joana Almeida, advogada aqui na Maia. Temos Raquel Martins, jurista, cabeça de lista à Assembleia Municipal. Elisa Santos é número dois, uma jovem muito ativa e que conhece muito bem o país e o mundo, acima de tudo. As cabeças de lista e número dois, tanto da assembleia como da lista da Câmara são mulheres. É uma coincidência, obviamente não é por uma questão de moda, de feminismo ou sequer de cotas. São quatro mulheres bastante empenhadas nestas candidaturas.

A campanha eleitoral vai coincidir com todo este processo de vacinação em massa e ainda de muitos cuidados preventivos, porque as eleições são a 26 de setembro. Qual o tipo de campanha que poderemos ter com a Iniciativa Liberal?

É óbvio que as limitações são bastantes, vamos sempre cumprir as normas da DGS, tentando manter algum distanciamento, higiene das mãos e máscara. Vamos aproveitar, e a vantagem de termos umas eleições ainda no verão, é tentar fazê-las ao máximo, ao ar livre, para diminuir as contrapartidas da pandemia. Vai ser uma campanha interessante e muito trabalhosa, mas vamos aproveitar todos os momentos que temos para a fazer da melhor forma.

Também vão apostar nas redes sociais?

Sim. Nós somos um partido novo e não temos muito dinheiro, portanto não podemos apostar na comunicação tradicional como os outdoors, os brindes, e nem sequer é esse o nosso objetivo. Portanto, vamos apostar muito na comunicação das redes sociais e também no boca a boca.

No que respeita à candidatura para a Câmara, que ideias tem para fazer mais e melhor pela Maia?

O nosso programa autárquico está a ser redigido por uma equipa excelente e estará pronto talvez daqui a uma semana. Mas posso dizer que a nossa máxima é a do liberalismo, que de uma forma geral pretende trazer as pessoas para o centro da política. Como é que podemos fazer isso em ambiente autárquico? Podemos dar a conhecer às pessoas o fundamento das decisões que são tomadas.

A questão da transparência é algo que tem faltado imenso na Câmara Municipal da Maia e posso dar um exemplo. Eu não percebo o investimento de 4 milhões de euros numa quinta, como a quinta dos Cónegos. Não compreendo esse tipo de investimento, assim como não compreendo investimentos na ordem dos 250 mil euros, que estão publicados no Base.gov, em tapetes de Arraiolos, adquiridos por ajuste direto pela Câmara da Maia.

Não percebo como é que estas medidas fazem mais pelo cidadão e pelo munícipe. O nosso objetivo será perceber as necessidades dos munícipes. E o município não é só o centro da Maia, tem muitas freguesias de norte a sul e nós temos de fazer uma auscultação para perceber as reais necessidades e pensar as nossas políticas a partir daí.

Não digo que não haja um trabalho bem feito. Quem chega à cidade da Maia não vê muitos problemas que vê noutros municípios. Mas isto… à custa de muito dinheiro que poderia estar a ser muito melhor empregue do que é atualmente.

O que é que considera que faz falta para haver mais homogeneização no concelho?

Mobilidade, transportes públicos. Uma coisa que me impressiona imenso é o dinheiro gasto em trotinetes ou em ciclovias e depois não haver transportes públicos. Porque a Dona Maria, que vive em Folgosa da Maia, e o Senhor José, que vive em São Pedro de Fins, não vão ao supermercado ou ao centro de saúde, nem de trotinete, nem de bicicleta.

As suas vidas não dependem destes dispositivos, que são muito giros e modernos, mas que não passam de uma ilusão. Faltam os transportes públicos, que são absolutamente necessários à vida das pessoas.

Outro exemplo é a zona industrial da Maia, que emprega tanta gente e a única estação de metro que ainda vai servindo algumas empresas é a da Porto Editora. Ao nível de autocarros também vejo poucos a servir. As pessoas são obrigadas a gastar mais dinheiro e a poluir mais, porque têm de levar os seus automóveis para as empresas onde trabalham.

Que marca é que a vossa candidatura quer para a Maia?

A marca da transparência, a marca da liberdade e do respeito pelo eleitor. É uma coisa que tem faltado de norte a sul do país, este respeito solene por quem elege os políticos.

Que observações fez ao longo destes quatro anos de trabalho autárquico?

Do trabalho autárquico tenho visto coisas muito bonitas e que ficam muito bem nos jornais, mas que pouco têm servido a população.

Vejo muitas inaugurações bonitas como bienais, e não estou de qualquer forma a menosprezar a cultura, mas acho que há necessidades prementes até ao nível da saúde e da mobilidade, coisas que faltam muito à cidade. Vejo gestores políticos a servirem-se a si próprios, numa dança de cadeiras, trocando o lugar do trono entre eles, com o único objetivo de se servirem. Essa é a minha observação dos últimos quatro anos.

Considera que foi feito um serviço menos prestigiante com estes processos em tribunal de pedidos de perda de mandato?

Isto é só mais um sintoma de um sistema que estará muito doente. Eu não conheço os processos e por isso não me vou pronunciar sobre eles, mas se as pessoas os levantaram, algumas razões o deverão ter para fazer.

Realmente, esta não é uma imagem prestigiante do papel que um político deveria ter. E é isso que esquecemos muito facilmente e que, como cidadãos, acabamos por nos habituar. O político está lá para nos servir e não o contrário. E é o que se tem passado. Nós baixamos-nos à mercê do político que vamos elegendo e depois não nos podemos queixar da falta de crescimento que temos.

Fazendo uma interligação com a Assembleia Municipal, este órgão poderá ser mais prestigiante na vida política da Maia, uma vez que tem representadas mais forças políticas do que o próprio executivo?

A função da Assembleia Municipal deveria ser por aí. A sua função seria fazer um balanço do poder para não deixar que as coisas descarrilassem à vontade de uma só figura. E a questão da transparência deveria ser invocada e provocada pela Assembleia Municipal, e isso não acontece. Portanto o nosso objetivo na AM será dar a conhecer as medidas aprovadas e as suas justificações. Porque, se hoje se tentar perceber a que dias e em que local acontecem as assembleias municipais, eu não tenho essa informação.

O site da câmara se calhar tem, para alguém que conheça muito bem o site, ou para um engenheiro informático. O cidadão comum, e eu própria, que já passei algumas horas à procura no site da Câmara, não encontra. Não encontro sequer as atas atualizadas das assembleias.

Portanto, isto demonstra, pela ausência de barulho das outras forças políticas que têm assento na AM, que parece haver um compromisso em manter tudo escondido do cidadão. E nós não devemos esconder as decisões que tomamos, seja aprovando ou recusando as propostas da autarquia, porque temos de ser responsáveis pelas nossas decisões e pelas nossas escolhas, e isso tem faltado muito na política.

Sendo a IL um partido ainda em crescimento e com apenas um ano na Maia, que resultado ambiciona destas eleições autárquicas?

Ficaria muito contente com a duplicação do resultado em relação às últimas eleições presidenciais, com a candidatura de Tiago Mayan. É óbvio que uma eleição autárquica é completamente diferente, mas hoje digo que ficarei muito contente se conseguirmos eleger quatro deputados para a AM e uma a duas vereações na Câmara Municipal. Não podemos continuar no mesmo. Queremos pôr mãos na massa e apresentar resultados aos maiatos.

Se se colocar algum cenário de coligação com outra força política para conseguir outros resultados, considerava essa hipótese?

Faz parte da nossa natureza e decorreu também da convenção nacional do partido, que iríamos sempre apresentar candidaturas próprias. O núcleo da Maia decidiu que vai fazer isso mesmo. Agora, se for para o bem da Maia, depois da eleição, fazer coligações já em Assembleia Municipal, isso aí não estará fora de hipótese, mas para a candidatura vamos sozinhos.

Quer deixar alguma mensagem aos maitatos?

Há a opção liberal e ela está cá este ano por isso, vamos todos dar oportunidade ao liberalismo, porque não podemos cair na loucura de esperar resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa.

E se até agora não havia opções entre socialistas, porque o nosso espetro era totalmente socialista, está na hora de entregarmos alguma coisa e tentar fazer alguma coisa, mudando de paradigma. Acreditamos que é o paradigma liberal que pode realmente contribuir para uma melhoria das nossas condições de vida.

Podcast Entrevista:

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