Concelhia socialista condena alegados abusos e anuncia processo de expulsão do militante.
A Comissão Política Concelhia do PS de Vila do Conde pediu esta sexta-feira a “renúncia imediata” de Isaac Braga ao cargo de presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde, na sequência da reportagem do programa “Prova dos Factos”, da RTP, que levantou suspeitas sobre a utilização indevida de verbas públicas da autarquia.
Em comunicado entregue aos jornalistas, os socialistas consideram que os factos divulgados configuram “suspeitas graves de atuação incompatível com os princípios de rigor, transparência e responsabilidade” no exercício de funções públicas.
No documento, o PS vilacondense “condena de forma inequívoca os atos verificáveis e divulgados publicamente” atribuídos ao autarca e apela a que Isaac Braga renuncie ao cargo “em defesa do bom nome dos autarcas, da dignidade institucional da autarquia e da garantia de condições de regular funcionamento da Junta de Freguesia”.
A estrutura liderada por Vítor Costa refere ainda que a saída do presidente da Junta permitirá à instituição “readquirir credibilidade, confiança e estabilidade”.
No mesmo comunicado, o partido revela ainda ter tomado conhecimento de que a Federação Distrital do PS “iniciou o processo de expulsão do militante em causa”, na sequência da retirada de confiança política já anteriormente decidida pelas estruturas socialistas.
Apesar da crise política instalada, o PS de Vila do Conde sublinha que “continua a existir uma maioria estável, coesa e unida”, reafirmando o compromisso dos eleitos socialistas “com a defesa dos interesses da freguesia” e com “o cumprimento integral do mandato conferido democraticamente pelos vilacondenses”.
Recordamos que, como demos conta no dia 8, a RTP emitiu uma reportagem onde apresentou fortes suspeitas de que o dinheiro público da junta de freguesia de Vila do Conde tivesse sido usado para benefício do próprio presidente. A investigação do canal público teve acesso a extratos bancários que revelam compras avultadas de tabaco e gastos em restaurantes, perfumarias e hotéis.
Ao longo de um ano e meio, há registo de levantamentos indiscriminados que ultrapassam os 100 mil euros. Além dos levantamentos Multibanco, há transferências MBWay para diversas pessoas e comércio, incluindo a própria mulher do autarca. São abundantes ainda nos extratos bancários os registos de pagamentos através de Multibanco em lojas de tabaco eletrónico, restaurantes, supermercados, e até hotéis.
