Em Vila do Conde “Povo pagou impostos máximos e recebeu serviços mínimos” – ENTREVISTA A HUGO REI AMORIM (CDU), com Podcast

Hugo Rei Amorim

Entrevista a Hugo Rei Amorim, candidato da CDU à Câmara Municipal de Vila do Conde (com Podcast)

Hugo Rei Amorim é o candidato escolhido pela CDU/Vila do Conde para a corrida à Câmara Municipal.
Tem 46 anos, vive na freguesia de Macieira da Maia e é Gestor de Recursos Humanos.
Homem de esquerda e de intervenção, apesar de não filiado em partidos políticos, Hugo Rei Amorim diz-se o exemplo da máxima da CDU: “a força de esquerda que dá voz e expressão aos interesses, aspirações e direitos dos trabalhadores e das populações…”.

 

“A CDU abre espaço a pessoas independentes como eu, só no concelho são umas boas dezenas e devem ter visto que eu tenho uma visão do concelho que lhes é simpática e que podiam chegar a pessoas diferentes e eu achei que sim, que era a hora de cumprir este dever de cidadania”, conta Hugo Rei Amorim.

As assimetrias entre cidade e restantes freguesias em Vila do Conde, são o primeiro incómodo para o candidato que não tem “grande craveira política”, mas que se sente bem no papel de representante dos cidadão “que é o que a CDU é”.

“Não há passeios e a cultura não sai do centro da cidade”

Para a CDU, numa curta deslocação às freguesias, logo se sentem as assimetrias, a ausência da cultura, etc.
Defende uma maior e melhor mobilidade, onde o carro deixe de ser um privilégio para quem vive no interior. – “mas o que é certo é que não temos alternativas, não temos vias para bicicletas, não há passeios….agora há as vítimas invisíveis, pessoas que não saem de casa porque não têm como se deslocar”.
“Um jovem que esteja a mais de 4km do centro, só pode ser considerado um habitante metropolitano, até às 07h00 da tarde, a hora do último autocarro”, exemplifica Hugo Rei Amorim.

“É preciso incluir, há esquecimentos flagrantes” nas freguesias e uma rede municipal de transportes “não será tarefa fácil, mas se começar em algum sítio, estas coisas têm efeito contagioso”, sublinha Hugo Rei Amorim que acredita que “criar passeios, passadeiras, formas de mobilidade” numa das freguesias vai acabar por ser replicado nas freguesias vizinhas.

PDM e Carta Educativa têm que ser revistos

A CDU quer projetar e planear o concelho, quer rever o PDM e a Carta Educativa e torná-los documentos atuais “para que as pessoas saibam com o que contam” e insinua que assim, sempre que alguém precisa de uma licença “fica com a sensação de que foi feito um favor e só foi prestado um serviço público….a falta de programação não é só desmazelo e inoperância é também opção política”.

A educação é outra preocupação da CDU que reclama a descentralização, escolas – secundária especialmente – no sul do concelho.
Nas pescas e agricultura, sectores representativos do concelho, a coligação entende que todos ganhavam com a criação de protocolos com os centros de formação e núcleo educativo de Vairão.

O Hospital é outra bandeira, com ou sem novo hospital, o serviço de urgência deve voltar a Vila do Conde “a proximidade é importante” e, a propósito, o candidato lembra o fundo reclamado pela bancada da CDU na Assembleia da República que agora serve para a intervenção de alargamento do edifício hospitalar no polo da Póvoa de Varzim, num terreno cedido pela autarquia. “Na Póvoa houve um interesse, ou um apoio para que se criassem condições, ao contrário da Câmara de Vila do Conde”, acusa Hugo Rei Amorim.

A Loja do Munícipe é um projeto da CDU para ajudar a resolver as dificuldades de mobilidade e de burocracia, uma ideia que quer ver implementada pelas freguesias.

Povo pagou IMI na taxa máxima e não recebeu nada de volta

O cabeça de lista da CDU na corrida de setembro, admite que houve uma coisa bem feita, nos últimos anos, em Vila do Conde, “a renegociação da dívida que poupou recursos ao erário público”, para logo a seguir concluir que “não foi um golpe de boa gestão, porque o que possibilitou isso foi taxas e impostos máximos e serviços mínimos”.

“Houve um sacrifício de um povo que pagou…e não teve boas vias públicas, unidades de saúde bem tratadas….mas tenho que reconhecer que a opção de trocar o empréstimo, foi uma boa gestão” e Hugo Rei Amorim, com algum sarcasmo, diz que sim, está agora na hora de investir “e nos últimos quatro meses deste mandato vamos ter mais obra do que nos últimos quatro anos”.

“Prioridades trocadas e Populismo de última hora”

Para a CDU, a Câmara Municipal tem “as prioridades trocadas” e um “populismo de última hora” e exemplo disso, diz Hugo Rei Amorim, são as obras no Largo de Vilarinho – “a minha freguesia não tem passeios, mas agora vai ter uma Praça com um espelho de água”.

A CDU quer “ter pessoas nos órgãos autárquicos todos” e Hugo Rei Amorim quer ser vereador, recuperar um lugar na Assembleia Municipal e ganhar algumas Juntas de Freguesia em Vila do Conde.

“É importante rever o sentido de voto útil”, alerta o candidato que lembra que “democracia é ter cada uma das representações” no poder.

Fomos o único partido a votar contra a Indaqua

Sobre integrar um executivo de outra força partidária, a CDU lembra que “Não passamos cheques em branco, as necessidades das populações são a nossa prioridade, se acharmos que as medidas vão ao encontro disso, têm todo o nosso apoio” mas “não vamos em lobbies, a CDU foi a única força política que votou contra a privatização da Indaqua….eu não tenho ainda saneamento na minha casa, a minha rua não tem clientes suficientes…”, remata Hugo Rei Amorim.

Entrevista na íntegra (áudio):

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