O novo Centro de Documentação e Interpretação Urbana João Álvaro Rocha abriu ao público no dia 15, na Maia, com a ambição de se afirmar como um espaço vivo de encontro com a arquitetura, aberto à visita, ao estudo e ao trabalho.
Instalado no antigo atelier do arquiteto João Álvaro Rocha, num edifício projetado por Eduardo Souto de Moura, o centro foi inaugurado com a presença do presidente da Câmara Municipal da Maia, Silva Tiago, e do vereador da Cultura, Mário Nuno Neves, numa sessão que contou também com a participação de alunos de Artes da Escola Secundária da Maia.
Mais do que um espaço expositivo, o Centro pretende assumir-se como um lugar de utilização regular pela comunidade. “Gostávamos que fosse um espaço vivido”, afirmou a viúva do arquiteto, Conceição Melo, responsável pela doação do acervo juntamente com os filhos. “Queremos que os alunos encontrem aqui um lugar de convívio, de partilha, de estudo e também de reconhecimento da própria cidade”, sublinou.
Aberto ao público todas as quartas-feiras, entre as 14h30 e as 18h30, o espaço disponibiliza uma biblioteca especializada em artes e arquitetura, atualmente em fase de integração no catálogo da Biblioteca Municipal da Maia, e permite o acesso direto ao acervo documental do arquiteto.
Esse contacto próximo com o espólio possibilita compreender o processo criativo de João Álvaro Rocha, bem como as opções que marcaram a sua obra, com especial destaque para intervenções no concelho, como a estação de Metro do Parque Maia, o viaduto de ligação à Zona Industrial e a Quinta da Gruta, no Castelo da Maia.
Para Conceição Melo, este projeto representa o cumprimento de um propósito claro: “Foi para isto que decidimos doar o acervo e ceder este espaço, para que as pessoas da Maia possam perceber a génese e a urbanidade atual da cidade, que, em grande parte, nasceu aqui.”
Também o presidente da Câmara sublinhou a importância simbólica e patrimonial do espaço, recordando a ligação pessoal ao arquiteto. Silva Tiago destacou o contributo de João Álvaro Rocha para o desenvolvimento urbanístico da Maia e manifestou o desejo de garantir a continuidade do projeto para que “a sua memória” seja “perpetuada.”
O acervo do Centro é propriedade da Câmara Municipal da Maia, tendo sido doado pela família do arquiteto, enquanto o espaço onde se encontra instalado foi cedido ao município em regime de comodato.
